Hidrelétrica perde espaço em plano energético

Fonte: Valor Econômico

O próximo Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2029, cuja versão preliminar deve ser divulgada neste mês pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e colocada em consulta pública, vai trazer uma quebra de paradigma no setor elétrico brasileiro. Carro-chefe do parque gerador de energia do país, as hidrelétricas, pela primeira vez, responderão por menos da metade (49%) da capacidade instalada da matriz elétrica brasileira, no fim da próxima década.

De acordo com o documento, que está pronto à espera da decisão do MME, a queda da participação das hidrelétricas (que atualmente respondem por 64% da capacidade do parque gerador) será compensada pelo crescimento das termelétricas (de 14% para 19%), principalmente a gás natural, devido ao potencial de recursos oriundos do pré-sal, e outras fontes renováveis, como eólica e solar (de 22% para 32%).

O novo paradigma reflete a mudança de perfil do parque gerador. O quadro é demonstrado pela oferta habilitada para o leilão de energia nova da próxima sextafeira, do tipo “A-6”, que contratará energia de novos projetos com início de fornecimento seis anos à frente (2025). Dos 71,4 megawatts (MW) de potência habilitada, 34,7% são de fonte solar, 32,7%, de termelétricas, e 31,6%, de eólicas. As hidrelétricas respondem por 1% da capacidade habilitada.

Estudo global lançado recentemente pela Deloitte concluiu que energias renováveis, principalmente eólica e solar, estão não só se tornando fontes convencionais de eletricidade, mas ganhando a preferência dos consumidores ante outras tecnologias.

Nessa linha, o presidente no Brasil da geradora renovável francesa Voltalia, Robert Klein, ressalta que parte da transição energética tem sido impulsionada pelo consumidor, que busca reduzir a pegada de carbono. Estimativas indicam que já existem 2 gigawatts (GW) de capacidade de projetos eólicos contratada por consumidores livres em forma de “PPAs” (sigla em inglês para contratos de longo prazo de fornecimento de energia) no Brasil.

Segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Barral, apesar da mudança do perfil, a matriz elétrica brasileira continuará com forte componente renovável. As fontes limpas respondem hoje por cerca de 80% da capacidade do parque gerador brasileiro. “É possível manter, ou até ampliar, esse potencial”, disse, em relação a 2029.

Barral explicou que um fator importante são os requisitos de flexibilidade das fontes, caracterizada pela intermitência na geração. Segundo ele, o novo PDE trará, pela primeira vez uma discussão sobre o tema. O executivo, porém, acrescentou que, a implementação do sistema de preços-horários na operação do sistema brasileiro e no mercado de energia, em 2021, já dará sinal econômico relativo aos requisitos de flexibilidade.

Lavinia Hollanda, diretora-executiva da consultoria Escopo Energia, destaca a importância de valorar corretamente os atributos de cada fonte, além da própria energia fornecida. Entre esses atributos, estão a contribuição, positiva ou negativa, que ela traz para as emissões de gases de efeito estufa e os custos e benefícios que cada uma gera para o sistema elétrico.

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